Se você está utilizando canetas emagrecedoras e começou a perceber uma redução significativa do peso, provavelmente algumas dúvidas novas também apareceram. Depois de tanto tempo pensando em como emagrecer, é comum que a preocupação seja: será que vou ficar com a pele flácida? Vou perder massa muscular? Preciso tomar colágeno? Qual seria o melhor tipo? O colágeno pode ajudar a manter a pele firme durante o emagrecimento? E será que ele também protege os músculos?
Essas perguntas fazem bastante sentido, principalmente porque os medicamentos utilizados no tratamento do excesso de peso podem reduzir o apetite de maneira importante, fazendo com que algumas pessoas passem a consumir quantidades muito menores de alimentos ao longo do dia.
É justamente nesse ponto que a nutrição precisa entrar como parte do tratamento. Quando uma pessoa passa a comer menos, não está reduzindo apenas calorias. Dependendo de como a alimentação é organizada, também pode diminuir a ingestão de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes necessários para o funcionamento adequado do organismo. Por isso, o emagrecimento não deve ser acompanhado apenas pela balança. É preciso observar também o que está acontecendo com a composição corporal, com a massa muscular, com a alimentação e com a saúde da pele.
O colágeno pode fazer parte dessa conversa, mas é importante colocar cada coisa em seu devido lugar. Ele não é um produto capaz de impedir sozinho a flacidez, não substitui uma alimentação adequada e também não ocupa o mesmo papel nutricional de proteínas completas, como as encontradas em ovos, carnes, peixes, leite e derivados. Quando utilizado de maneira adequada e dentro de uma estratégia individualizada, pode ser um complemento interessante, especialmente quando o objetivo envolve cuidados com a pele e tecidos conjuntivos. O problema começa quando o suplemento passa a ser tratado como a principal estratégia para preservar o corpo durante o emagrecimento.

Quem usa canetas emagrecedoras perde colágeno?
Essa é uma das primeiras idúvidas que precisamos esclarecer. As canetas emagrecedoras não devem ser entendidas como medicamentos que simplesmente destroem ou retiram o colágeno da pele. O que pode acontecer durante um emagrecimento significativo é uma mudança importante no volume e na composição dos tecidos corporais, e isso pode fazer com que a pele precise se adaptar a um novo contorno.
Quando uma pessoa perde uma quantidade significativa de gordura corporal, o tecido que anteriormente contribuía para preencher determinadas regiões do corpo diminui. A pele, que estava adaptada a um volume maior, precisa acompanhar essa mudança. A capacidade de retração e adaptação da pele varia bastante entre as pessoas e depende de diversos fatores, como idade, genética, quantidade de peso perdida, tempo em que a pessoa permaneceu com excesso de peso, exposição solar, tabagismo, características individuais da pele, estado nutricional e quantidade de massa muscular.
Por isso, não gosto de dizer simplesmente que “a caneta causa flacidez”. Da mesma maneira, dizer que o colágeno consegue impedir essa flacidez também seria uma promessa que a ciência não permite fazer. O que podemos dizer é que a saúde da pele depende de diversos fatores e que a nutrição adequada pode contribuir para que o organismo tenha os nutrientes necessários para manutenção dos tecidos.
Existe ainda uma diferença importante entre a flacidez da pele e a perda de massa muscular. Uma pessoa pode emagrecer e perceber o corpo menos firme não necessariamente porque sua pele “perdeu colágeno”, mas também porque houve redução de gordura e, em alguns casos, de massa muscular. Por isso, quando falamos sobre aparência corporal durante o emagrecimento, precisamos olhar para o conjunto e não apenas para um suplemento.
Colágeno realmente ajuda a evitar a flacidez?
Essa é provavelmente a pergunta mais pesquisada por quem procura um suplemento de colágeno. Eu sempre digo que existem sim evidências de que determinados suplementos de colágeno hidrolisado podem melhorar a hidratação da pele, mas isso não significa que sejam capazes de impedir completamente a flacidez decorrente de uma grande perda de peso.
Isso é importante porque existe uma diferença entre benefício potencial e promessa de resultado. O colágeno pode contribuir para determinados aspectos da saúde da pele, mas não consegue controlar todos os fatores que determinam a flacidez. Uma pessoa que perde 30 ou 40 quilos, por exemplo, está passando por uma alteração estrutural muito maior do que aquela que perde poucos quilos. A idade, a genética, o tempo de exposição da pele ao excesso de peso e a quantidade de massa muscular também interferem no resultado.
Portanto, se você utiliza uma caneta emagrecedora, pode considerar o colágeno dentro de uma estratégia de cuidados, mas não deveria enxergá-lo como uma espécie de proteção contra a flacidez. A melhor abordagem continua sendo cuidar do organismo como um todo.
Qual é o melhor colágeno para quem usa canetas emagrecedoras?
Quando o objetivo principal é a saúde da pele, os estudos disponíveis costumam avaliar principalmente o colágeno hidrolisado e os peptídeos de colágeno. Essas formas são obtidas a partir da quebra das proteínas de colágeno em fragmentos menores, facilitando sua utilização como suplemento alimentar.
Já o colágeno tipo II aparece com frequência em produtos voltados para articulações e cartilagens. Isso não significa que um seja “melhor” do que o outro de maneira absoluta. Significa que diferentes produtos possuem diferentes objetivos e que a escolha deve considerar aquilo que se pretende alcançar.
Por isso, quando alguém pergunta qual é o melhor colágeno para quem está utilizando uma caneta emagrecedora, eu prefiro reformular a pergunta: qual é o objetivo da suplementação? Se a preocupação principal é pele, é preciso avaliar produtos e evidências relacionados a esse objetivo. Se existe uma queixa articular, a conversa pode ser diferente. E se o problema principal é a dificuldade de atingir proteína suficiente, talvez o colágeno nem seja a prioridade.
A escolha de um suplemento não deveria acontecer apenas porque determinada embalagem promete pele firme, cabelo bonito ou emagrecimento sem flacidez. A composição do produto, a quantidade de proteína fornecida, o objetivo da suplementação e a alimentação como um todo precisam ser considerados. Hoje temos inúmeras marcas no mercado mas com certeza o profissional nutricionista vai te orientar em escolher o melhor produto para você.

Colágeno substitui a proteína da alimentação?
Não. E esse é um dos pontos que considero mais importantes para quem está emagrecendo com auxílio de medicamentos.
O colágeno é uma proteína, mas possui uma composição de aminoácidos diferente das proteínas consideradas completas e utilizadas como referência para manutenção e síntese muscular. Ele apresenta baixo teor de alguns aminoácidos essenciais, incluindo a leucina, que desempenha papel importante na estimulação da síntese proteica muscular.
Isso significa que uma pessoa não deveria olhar para um scoop de colágeno e pensar que ele substitui automaticamente uma refeição rica em proteína ou uma fonte proteica de alta qualidade.
Durante o emagrecimento, especialmente quando existe redução importante do apetite, a prioridade deve ser garantir que a alimentação forneça proteína suficiente. Ovos, carnes, frango, peixes, leite, iogurte, queijos e outras fontes proteicas podem fazer parte dessa estratégia. Para pessoas que têm dificuldade de atingir a necessidade diária por meio da alimentação, suplementos como whey protein podem ser considerados em determinadas situações.
O colágeno pode entrar como complemento, mas não deve ocupar o lugar da proteína necessária para a manutenção da massa muscular.
Afinal, colágeno vale a pena para quem usa canetas emagrecedoras?
Pode valer a pena para algumas pessoas, mas não porque exista uma relação obrigatória entre o uso de canetas emagrecedoras e a necessidade de suplementar colágeno.
O que sabemos até o momento é que estudos com peptídeos de colágeno sugerem possíveis benefícios para alguns parâmetros da pele, especialmente hidratação e elasticidade. Entretanto, a evidência não sustenta a ideia de que o suplemento seja capaz de impedir completamente a flacidez associada a grandes perdas de peso.
A melhor maneira de pensar no colágeno é como uma possível estratégia (que eu uso na marioria dos casos).
Se você está utilizando uma caneta emagrecedora, perdeu bastante peso e está preocupada com a pele, não olhe apenas para o pote bonito de colágeno. Observe como está sua alimentação, sua ingestão de proteínas, sua hidratação, sua rotina de exercícios e sua composição corporal.
Se você está comendo muito pouco, talvez o problema mais urgente seja adequar a alimentação. Se não está fazendo treinamento de força, talvez essa seja uma prioridade. Se existe dificuldade para atingir a quantidade necessária de proteína, pode ser necessário discutir estratégias alimentares ou suplementação proteica. E, depois de tudo isso, o colágeno pode ser avaliado como um complemento.
Conclusão
O emagrecimento com o auxílio de canetas emagrecedoras mudou a realidade de muitas pessoas que passaram anos tentando perder peso. No entanto, o sucesso do tratamento não deveria ser medido apenas pela quantidade de quilos eliminados. À medida que o peso diminui, também precisamos prestar atenção à massa muscular, à qualidade da alimentação, à ingestão de proteínas, à saúde da pele e à capacidade de manter os resultados ao longo do tempo.
O colágeno pode fazer parte dessa estratégia. Existem evidências de que determinados peptídeos de colágeno podem contribuir para melhorar parâmetros relacionados à pele, como hidratação e elasticidade, mas isso não significa que o suplemento consiga impedir sozinho a flacidez provocada pela perda significativa de volume corporal. A resposta da pele depende de uma combinação de idade, genética, quantidade de peso perdida, características individuais, exposição solar, histórico de peso e outros fatores.
Para quem utiliza canetas emagrecedoras, talvez a informação mais importante seja entender que colágeno não substitui proteína adequada e não substitui treinamento de força. Se o apetite diminuiu e a pessoa está com dificuldade para comer, é justamente nesse momento que a qualidade nutricional das refeições se torna ainda mais importante.
Por isso, antes de escolher um suplemento, vale olhar para o básico: você está conseguindo consumir proteínas suficientes? Está fazendo treinamento de força? Sua alimentação contém frutas, verduras, legumes e outras fontes importantes de vitaminas e minerais? Está mantendo uma hidratação adequada? Sua composição corporal está sendo acompanhada? Está perdendo peso com acompanhamento profissional?
Quando essas perguntas são respondidas, o colágeno deixa de ser visto como uma solução milagrosa e passa a ocupar o lugar que realmente pode ter: um complemento dentro de uma estratégia nutricional mais ampla para cuidar do corpo durante o emagrecimento.
Emagrecer não precisa significar apenas ver o número da balança diminuir. O objetivo deve ser construir um processo no qual a redução da gordura corporal aconteça com atenção à massa muscular, à alimentação, à pele, à saúde e à qualidade de vida. E, nesse processo, nenhum suplemento isolado será mais importante do que o conjunto de hábitos que sustentam o tratamento.
Este artigo possui finalidade educativa e não substitui uma avaliação individualizada. Medicamentos utilizados para emagrecimento devem ser prescritos e acompanhados por médico, e a necessidade de suplementação deve ser avaliada de acordo com a alimentação, objetivos, condições clínicas, medicamentos em uso e demais características de cada pessoa.
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Por Talita Dezidério
Referência:
Pu SY, Huang YL, Pu CM et al. Effects of Oral Collagen for Skin Anti-Aging: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2023.

