Monetizei meu hobbie e deu nisso!
“Escolha um trabalho que você ame e nunca terá que trabalhar um único dia na vida.”
Durante muito tempo acreditei nessa frase de Confúcio. Ela aparece em livros, palestras, cursos de empreendedorismo e perfis motivacionais. É uma frase muito bonita e inspiradora. Mas, hoje, olhando para a minha história, acho que ela conta apenas metade da verdade. A outra metade ninguém costuma contar.
Me lembro perfeitamente quando comecei a fazer meus próprios blends de óleos essenciais.Eu me sentia uma bruxa curandeira kkkk. Pode parecer engraçado, mas era exatamente essa sensação. Havia algo profundamente intuitivo naquele processo de abrir os frascos, estudar as propriedades das plantas, misturar aromas e observar como pequenas mudanças alteravam completamente uma sinergia.
Enquanto preparava um blend, minha cabeça silenciava e o tempo passava sem que eu percebesse.
Não tinha produtividade, meta e prazos. Eu simplesmente fazia porque eu sabia dos beneficios e gostava de fazer. Queria que as pessoas soubessem desses beneficios, então comecei fazer blends para meinhas amigas. Depois passei a presentear meus pacientes da época em que ainda atendia como nutricionista. Era um brinde sem qualquer expectativa de retorno.
Até que tive a brilhante ideia e também alguns outros motivos, (que conto em outro texto) de encerrar os atendimentos e criar a ZenT. As pessoas começaram a falar dos meus roll-ons e dos inaladores. As pessoas realmente gostavam dos produtos e acho que da entrega também, eu colocava alguns adesivos que deixava a entrega bem legal. Um começou indicar para o outro.
Parecia o cenário ideal que todo empreendedor sonha viver.Eu sequer investia em marketing. Não produzia conteúdo diariamente, não vivia refém de algoritmos e, ainda assim, as vendas aconteciam. Eu pensava que havia encontrado o modelo de negócio perfeito: trabalhar com algo que me apaixonava, sem precisar entrar naquela corrida interminável das redes sociais. aí resolvi criar uma loja online.
Agora, vamos lá!!! Hoje percebo que eu confundia duas coisas muito diferentes:
Uma era amar a aromaterapia. E outra era administrar uma empresa de aromaterapia. Convenhamos, né? São experiências completamente diferentes.
Comecei lidar com controle de estoque, com o prazo dos fornecedores (que saía totalmente do meu controle). Conferir as embalagens e ter certeza de que elas chegariam intactas lá na outra ponta do Brasil. De repente percebi que, eu passava mais tempo organizando planilhas, acompanhando entregas e resolvendo problemas logísticos do que estudando óleos essenciais.
A parte que eu amava foi ficando pequena!!!! Sem perceber, aquilo que começou como um hobbie virou uma linha de produção.
Existe uma diferença enorme entre criar porque você quer e criar porque existe um prazo. (CRIAR X NECESSIDADE)
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han descreve a sociedade contemporânea como a “sociedade do desempenho”. Segundo ele, deixamos de ser apenas explorados por patrões e passamos a explorar a nós mesmos. Somos incentivados a transformar absolutamente tudo em produtividade.

Há outro conceito que me ajudou a compreender o que vivi.
Na psicologia, existe o chamado efeito da superjustificação. Alguns pesquisadores demonstraram que atividades originalmente realizadas por prazer podem perder parte da motivação quando passam a depender principalmente de recompensas externas, como dinheiro, metas ou aprovação.
Não significa que ganhar dinheiro com o que se ama seja errado!!!! Não quero dizer isso, ok? Eu não deixei de amar os óleos essenciais. eu simplesmente comecei a associá-los ao trabalho, ao dinheiro, ao lucro…
O pintor Pablo Picasso dizia: “Toda criança é um artista. O problema é continuar sendo artista depois de crescer.”
Hoje eu acrescentaria outra frase. O problema é continuar brincando depois que a brincadeira vira profissão.
Não escrevo este texto para desencorajar ninguém a empreender com o que ama. Muito pelo contrário! Empreender transformou minha vida de muitas maneiras. Aprendi sobre negócios em pouco tempo, aprendi sobre meus ritmos e o que realmente quero pra mim. Mas também me ensinou uma lição que eu gostaria de ter ouvido antes. “Nem tudo o que nos faz felizes precisa pagar nossas contas”.
Algumas atividades têm outra função.Elas apenas existem para restaurar partes de nós que o trabalho desgasta. Quando transformamos esse espaço de descanso em mais uma fonte de cobrança, corremos o risco de perder justamente aquilo que nos fazia voltar para ele.
Hoje continuo apaixonada pela aromaterapia. Continuo estudando (hiperfoco) Mas voltei a fazê-los sem a urgência de produzir. E disposta a ajudar outras mulheres descobrire, agirem e tirarem os planos do papel.
